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Federico Landi Porrini (Sergio Casttellito), um diretor de teatro famoso, se prepara para uma nova montagem de umas das peças mais famosas de Shakespeare, Romeu e Julieta. Mas ele vive uma crise em sua carreira e os agentes envolvidos com a produção de artes cênicas locais acham o projeto inviável. Não querem apostar na peça. Federico tem uma carta na manga para convencê-los. Anuncia a peça como o último trabalho de sua carreira antes de se aposentar. Consegue levar a produção adiante.
Federico é um diretor irritadiço e de difícil convivência. Escolhe a dedo o elenco com rompantes de agressividade. Quando os atores da audição não apresentam as características desejadas são sumariamente dispensados, sem meios termos e com avaliações depreciativas. Depois de inúmeras tentativas sem sucesso de encontrar os intérpretes ideais para os personagens principais, aparece Vittoria (Pilar Fogliati). A moça o deixa maravilhado. Ela será sua Julieta.
Mas Vittoria não tem boa reputação no mercado. Está há tempos sem trabalho. Ela foi processada por se apropriar de uma peça e fazer uma turnê mesmo sem ter permissão para o uso da obra. É considerada uma ladra. Só conseguiu o teste após muita insistência com sua agente para colocá-la na lista de Federico. O produtor da peça conhece o passado da atriz. Sua imagem pública é negativa demais. Não importa suas qualidades no palco. Está fora do elenco.
Ela escolhera a montagem de Federico não só para retomar a carreira. Seu namorado está tentando o papel principal. Se ele conseguisse ser escalado, viajaria em turnês e eles ficariam muito tempo afastados. No entanto, com a recusa definitiva de sua presença no elenco, Vittoria não atinge nenhum de seus objetivos. Pede uma oportunidade ao diretor, apesar de seu passado maculado pelo plágio, e é tratada com aspereza e desdém.
Ela não engole o tratamento hostil. Conhece bem seus dotes enquanto atriz. Decide se vingar como uma atriz o faria. A oportunidade não demora a chegar. Federico, com sua característica agressividade, demite a maquiadora da peça, uma amiga de Vittoria. As duas concebem um plano ideal de retaliação.
A vingadora é camuflada com maquiagem, roupas masculinas e perucas. Nasce um rapaz, Otto. Ele entra furtivamente no teatro onde ocorrem as audições. Se insere na lista. Interpreta uma fala como Romeu e encanta novamente o diretor. Dessa vez não há passado a impedir a escalação. Otto se torna o ator principal. Será Romeu._________________________________________________________
O roteiro garante a fluidez da apresentação e construção dos personagens. O primeiro ato detalha suas vidas e seus conflitos. O diretor está às voltas com a produção da peça e está com problemas em seu relacionamento amoroso. É agressivo no ambiente de trabalho e expressa, de vez em quando, algum carinho pelo companheiro em casa. Isso lhe confere complexidade. Vittoria e o namorado também têm contornos bem delineados. Ela quer ter filhos e deseja retomar a carreira, mas precisa resolver sua questão de imagem. Ele deseja ascensão como ator, mas faz outros trabalhos para sobreviver, e está contente com o namoro.
Um cenário de mundo perfeito é conquistado pelos três. O diretor finalmente tem tudo pronto para os ensaios e resolve sua crise com o parceiro. O namorado de Vittoria é chamado por ele para um papel secundário. E ela dará cabo de sua vingança. Mas Vittoria não consegue fazer Otto deixar o palco. Ela precisa daquilo.
O espectador precisa de algum esforço para acreditar na relação entre Otto e Rocco (Domenico Diele), o namorado de Vittoria, durante o segundo ato. Ele não a reconhece em nenhum momento. E não há um conluio entre eles. Mas há uma explicação convincente para essa questão no terceiro ato, embora venha um pouco tarde.
Otto cria uma série de problemas para Vittoria. Ela precisa se afastar do namorado. Se sente culpada pela farsa. E para piorar a situação, Federico se apaixona por sua identidade falsa. Os enquadramentos privilegiam as expressões faciais dos dois atores. Ele, antes pura agressividade com seu elenco, se torna amistoso com Otto. Ela está assustada. Há um exagero de caras e bocas, teatral demais para um filme, poderia funcionar melhor em uma peça. Mas, em linhas gerais, é uma história divertida. Impossível não querer seguir até o desfecho. E o terceiro ato amarra os fios do ponto central da trama com um belo ponto de virada. As últimas cenas recompensam o espectador por ter acompanhado o filme até ali.
Eduardo Barbosa ▪ 24 nov 2024
