Manifesto

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A Filmíssima nasceu da convicção de que uma crítica não existe para encerrar um filme, mas para prolongá-lo. Todo filme é maior do que qualquer interpretação. A crítica é apenas um pequeno ponto de vista diante da vastidão de significados de um filme.

Uma crítica se ocupa de apenas uma pequena parte do inesgotável universo de um filme. Seu papel não é oferecer a última palavra, mas abrir novas possibilidades de leitura.

Foi por isso que esta revista adotou a simplicidade. Há poucas imagens, poucos elementos e poucas interrupções. O espaço pertence sobretudo ao texto, porque é nele que um filme continua vivendo depois do fim da sessão.

Crítica não é cinema. Ela começa quando a imaginação do leitor volta ao filme. Na Filmíssima, esse retorno acontece sobretudo pelo texto. Por isso, não há pôsteres, trailers nem fotogramas. Se um texto não consegue conduzir o leitor de volta a uma cena, talvez tenha falhado em uma de suas tarefas mais importantes.

Cada crítica é um convite para permanecer um pouco mais diante de uma obra. Não para descobrir o que ela "realmente significa", nem para decidir se merece uma ou cinco estrelas.


Menos vitrine. Mais texto.


O filme não morre depois que sai do cinema. A crítica não morre depois de ser publicada. A sessão termina. A conversa sobre o filme, não. Por isso a Filmíssima é uma revista de crítica organizada segundo a lógica de uma estante.

Revista Filmíssima • ISSN 2966-0319