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O caso de Luca (Pierluigi Gigante), contado neste filme, é baseado em uma história real. Ele abandonou o sacerdócio por ter se apaixonado por um homem e passou a viver sua sexualidade sem se reprimir. O trabalho em uma comunidade acolhedora de pessoas com síndrome de Down vai bem. Porém, seu relacionamento amoroso vai mal. Ele deseja ser pai, o companheiro não. Isso gera conflitos e brigas entre os dois.
A contragosto do companheiro, Luca faz um registro em um Juizado de Infância e se candidata à adoção. Na Itália do filme de Fabio Mollo, não há possibilidade de casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Então, a saída é registrar-se como futuro pai solo. Há um complicador nesta condição. Famílias monoparentais são as últimas da fila de espera na adoção. O cenário jurídico do país, representado no longa-metragem, é de baixa receptividade às demandas da população LGBT+ e privilegia o modelo familiar tradicional. O poder de decidir se um homem gay pode ou não adotar uma criança é de competência exclusiva dos juízes, não do Estado.
Quando uma mãe abandona uma bebê com Down na maternidade, Luca vê aí sua oportunidade de ser pai. Consegue uma entrevista, no entanto, a juíza responsável pelo processo de adoção quer uma família heterossexual para a bebê e não um homem como ele. Ela fará contato com outras famílias com configurações mais apropriadas para receber uma criança recém-nascida.
Luca permanece em estado de expectativa, mesmo com a negativa homofóbica da juíza. As enfermeiras registram a bebê como Alba. Os meses passam. Mais de trinta famílias a recusam. Nenhum dos interessados em adoção quer uma filha com as características daquela criança. Chega o momento no qual os funcionários da maternidade entrarão em férias. Alba precisa dos cuidados de alguém de fora do ambiente hospitalar. Só resta Luca na lista de adotantes para acolhê-la.
A juíza lhe concede uma adoção temporária. Ele será pai por um mês. Depois precisará “devolver” Alba à maternidade para encontrar uma “família de verdade”. Como se o afeto de um homem gay não fosse suficiente para formar uma família.
