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Ariane (Anne Parillaud), uma francesa rica e com bons contatos no mercado cinematográfico, contrata Pietro (Giulio Base), um roteirista de segundo escalão, para escrever a adaptação de um livro de Marcel Proust. A relação entre os dois não é amistosa. Ele não quer o trabalho, mas ela é sua chance de obter renda.
A história é toda ambientada em uma mansão dos anos setenta. A direção de arte representa bem a época com os estofados típicos desse período, os rádios antigos dos quais saem notícias da política americana e de festivais de cinema, os carros, a máquina de escrever, os telefones de gancho. O figurino também ajuda na construção do visual dos personagens com roupas típicas desse período.
A cena de abertura parece um ensaio. Os personagens, com folhas de manuscritos em mãos, atuam como se ensaiassem o texto no qual trabalham adaptando Proust. Mas não é isso. É o estilo adotado para a interpretação. Torna-se quase impossível deixar-se mergulhar na história com atuações tão inconvincentes. Há muitas pausas nas falas, resultando em diálogos artificiais. Por ser um filme de comédia, talvez isso justificaria a escolha, mas é tudo exagerado e caricato, resultando em um jorro de canastrices.
Há cenas repetidas sem necessidade alguma para o andamento da narrativa. Pietro vai embora no começo da noite e volta no começo do dia seguinte. O filme mostra a ação ocorrida em um dia, no outro e no outro, sem qualquer mudança significativa. Não há acréscimo na trama. Fica evidente o objetivo: apenas mostrar o carro dos anos setenta adquirido pela direção de arte para a construção da época retratada.
Quando o humor cede lugar ao drama, o espectador tem diante de si interpretações convincentes. Mas a duração destas cenas é baixa e não repara o estrago causado pelo jogo de atuações medonhas registradas ao longo do filme. Os noventa minutos pesam e a história parece interminável. É um alívio quando sobem os créditos na tela.
