_________________________________________________________
O primeiro longa-metragem de Sole Tonnini conta a história de Aida, uma garota de doze anos, cujo pai está sempre ausente em momentos nos quais sua presença é considerada importante pela família. Há discussões acaloradas entre ele e a esposa. Mas a menina não consegue entender o motivo das brigas e tampouco se convence com as explicações do pai para suas saídas furtivas.
Então, ela se junta aos seus dois amigos para investigar os mistérios sobre esse pai misterioso. Há muitas pistas. Manchas de sangue nas roupas. O pai diz ser proveniente de um abate de carneiros. Ela o imagina com uma arma, violento, confrontando um adversário. Há as conversas secretas pelos cantos da casa entre o pai e seus amigos. Só podem ser companheiros de crime. O carro da família explode. Deve ter sido uma retaliação.
Ao juntar todas as evidências, Aida se convence. Ele é um grande criminoso. A fotografia com tons de sépia deixa o filme com um ar de anos setenta. Um álbum de família em movimento a contar as aventuras lotadas de curiosidades e confusões de Aida. Ela constrói seus próprios retratos do pai. Ora ele é um criminoso perigoso e violento, ora se torna uma vítima.
O roteiro nunca permite ao espectador desvendar a identidade do pai antes da garota. É um acerto. A curiosidade em relação a essa figura enigmática atrai e envolve o espectador na história. Estimula o desejo de acompanhar o desenrolar dos acontecimentos para desvendar os segredos escondidos por esse homem.
O terceiro ato junta as pontas de fios puxados do novelo. A amarração deixa na tela uma Aida às voltas com as consequências das descobertas e das suas interferências na vida afetiva, social e política do investigado. É um golpe no seu complexo de Édipo. A grandeza do pai se esvai. A exclusividade da posse de seu afeto também rui. O final da aventura entrega uma protagonista amadurecida pela avalanche de verdades e frustrações obtidas com a revelação sobre quem é seu verdadeiro pai.
Eduardo Barbosa ▪ 01 dez 2024
