Adeus, garoto (2024): Dois jovens desamparados e marcados pela violência do submundo napolitano são os personagens centrais do dramático filme de Edgardo Pistone

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Attilio tem dezessete anos. Toca uma vida de pequenos delitos com os amigos e mora com a mãe. Quando o pai sai de uma prisão e volta para casa, seu mundo vem abaixo. Há cobradores de dívidas à espera e o homem não tem dinheiro para quitá-las. A mãe decide se mudar para livrar o marido dos problemas.

Sozinho, Attilio precisa reorganizar a própria vida. Arranja um trabalho com um cafetão. Sua tarefa é acompanhar as atividades noturnas de uma jovem prostituta do Leste Europeu, Anastasia. Começam os problemas. Attilio se apaixona pela garota. É um romance proibido. Ele só pode se relacionar com ela como cliente. Outro ingrediente se soma aos seus infortúnios. Um dos criminosos com quem o pai tem dívidas o encurrala. Se o pai não pagar o montante devido, a conta passa a ser dele.

A fotografia em preto e branco ajuda a construir uma sensação de mundo interno sombrio do casal de personagens principais. Anastasia espera sua família chegar à Itália para salvá-la de Martinelli, o cafetão. Mas essa salvação nunca chega. Restam-lhe as dezenas de clientes com quem não quer tratar, mas é obrigada a fazê-lo. Já Attilio tem diante de si um abismo incontornável. A herança do pai e o relacionamento com a garota podem lhe custar a vida.

Nessa Nápoles abarrotada de tons acinzentados, o roteiro escrito por Edgardo Pistone e Ivan Ferone conta a história de um jovem sem esperança a partir de um arco de ruína. Quanto mais Attilio avança, fica mais perto da própria destruição. É o conto de um sujeito sem agência em um mundo no qual seu futuro já está traçado e não pode ser alterado. Para salvar o pai e a própria pele, o único caminho possível é um roubo. Para levar seu relacionamento amoroso adiante também precisa “roubar” Anastasia. Para as duas ações haverá consequências. O roubo neste ambiente criminoso é punido com a morte. Se renunciar à garota pode se safar de um adversário. Mas não pode ignorar a herança maldita deixada pelo pai.

Os conflitos do rapaz com as pessoas de seu entorno crescem vertiginosamente. Toda tentativa de resolução trás consigo uma tonelada de riscos. Até Attilio decidir pôr fim aos seus problemas com um roubo duplo contra o mesmo alvo. Aposta todas as fichas na maior jogada de sua vida. A questão principal a conduzir o interesse do espectador é só uma. O jovem casal conseguirá fugir das garras desse sistema violento e implacável? 

Eduardo Barbosa ▪ 27 nov 2024

Revista Filmíssima • ISSN 2966-0319